Bombus: a nova apicultura

Os abelhões são como “abelhas de peluche”, que nos suscitam simpatia e nos encantam com as suas jubas douradas, que a difração dos raios solares, exalta; mas também pela dedicação com que se entregam ao labor. Uma das espécies mais comuns na Europa, é o Bombus terrestris (Fig. 1), que nesta época do ano [n.d.r. Agosto] explora os recursos de algumas das flores que resistem à torreira do sol, nestas terras por onde me passeio: o cardo-marítimo, a perpétua-das-areias ou o funcho. É uma espécie social e, tal como a abelha, estrutura a sociedade em três castas: rainha, machos e obreiras. Contudo, os efetivos populacionais são muito inferiores pois os ninhos, escavados no solo, não propiciam famílias numerosas.

Fig. 1 – Bombus terrestris (fotografia: © Jorge Araújo).

Parece ter sido Darwin quem primeiro assinalou a importância dos abelhões na polinização, designadamente do trevo-violeta (Trifolium pratense), em Inglaterra. Mais tarde veio a constatar-se que os abelhões são mais eficazes como polinizadores do que a abelha-doméstica, relativamente a leguminosas como os trevos e a luzerna, porque, com a sua longa língua (Fig. 2), se adaptam melhor à anatomia e ao comportamento das flores ditas papilionáceas. Também algumas hortícolas, como o tomate, serão mais recetivas à polinização por abelhões.

Fig. 2 – Bombus terrestris (fotografia: © Jorge Araújo).

Em Portugal identificaram-se mais de 1000 espécies de insetos polinizadores, entre abelhas, abelhões, vespas, moscas, borboletas, escaravelhos e formigas. Fatores diversos com destaque para o uso desregrado de pesticidas e a agricultura intensiva, entre outros, tem vindo a conduzir ao seu declínio. E, tenhamos consciência: sem eles a maioria das plantas não poderá reproduzir-se!

Neste contexto, a abelha-doméstica (Apis melifera) vem-se assumindo progressivamente como polinizador universal, e a apicultura a valer muito mais pela polinização que promove do que pelo mel que produz.

Desde os anos 80 desenvolvem-se tecnologicamente, apiculturas alternativas, nomeadamente de Bombus terrestris. Depois de conhecido o funcionamento da sociedade e as relações intercastas, foi apurado um tipo de colmeia de B. terrestris, portável, com efetivos de cerca de 300 indivíduos, com a qual se promove atualmente a polinização em estufa. A cultura do tomate é uma das principais beneficiárias desta nova apicultura, na Europa Central. Mas a Suécia adotou-a, em 2019, não só para o tomate, mas também para a courgette.

Só o desenvolvimento científico e o respeito pela natureza poderão minimizar as fortes probabilidades da nossa extinção enquanto espécie e civilização.

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